quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Dia 6 - Terceiro dia da viagem - Terça Feira
















INÍCIO 7:40 h FINAL 18:06 h
ODO ini 9159 ODO final 9204
RT 4:45:54
AVG 10.1
MAX 46.0
DST 45

A estrada estava em péssimas condições com muitas decidas em que tive que segurar nos dois freios e meter os pés no chão. Neste dia ganhei a minha primeira queda que me deixou as marcas dos dentes da cora gravados na minha coxa, logo depois que eu cai, apareceu um pau de arara (caminhão adaptado para o transporte de passageiros) e o motorista perguntou se eu estava com algum problema e se estava precisando de alguma coisa. Senti que estava sendo protegido e após agradecer, eu coloquei o guidon no lugar pois ele ficou muito torto.



Subir algumas ladeiras (na verdade autênticos paredões) só empurando a bicicleta, pois as pedras são soltas e mesmo se empurrando a pé é muito difícil, pois se escorrega constantemente e o risco de se cair é muito grande, além disso ainda tem o fator calor e a sede que são terríveis, a temperatura chega facilmente a mais de cinqüenta graus e a sudorese é muito intensa sendo que não se consegue água com facilidade pois os vazios demográficos são enormes e as vezes a gente chega a pedalar até 20 Km sem encontrar um único morador nas margens da estrada, o jeito foi apelar e levantar a garrafa para os poucos motoristas que passavam e dessa meneira indicar que se estava sem água, em vias de regra alguém acaba parando e te dando água.
Cheguei numa localidade chamada Carnot e lá ganhei hospedagem numa casa de madeira que tinha sido alugada por trabalhadores da estrada que tinham me visto ao longo do caminho.
Tomei um banho, comprei um refrigerante de um litro e meio e fui numa lanchonete que tinha uma placa escrita FAST FOOD, pedi um cheesburger e fui dormir.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Dia 5 - Segundo dia da viagem - Segunda-Feira

INÍCIO 7:25 h FINAL 17:45 h
ODO ini 9107 ODO final 9159
RT 4:18:45
AVG 11.9
MAX 48
DST 51.72

Um novo dia está surgindo e com ele as agruras de uma estrada que é realmente muito difícil, mas que esconde belezas indescritíveis.



Rio límpido e muito bem conservado, na área indigna.


Aconteceu aquilo que eu temia nos meus piores pesadelos.
A corrente da Emília quebrou e eu não tinha levado a ferramenta para consertar corrente, mas se por um lado a situação era apavorante, por outro os Deuses estavam dispostos a me proteger e a corrente quebrou justamente num ponto em que havia uma casa no alto de um morro e ai pedi para o homem que me observava, para ele me arrumar um prego e um martelo.
Ele desceu e praticamente não sabia falar português, era um índio e a casa não era isolada e sim tinha toda uma aldeia lá.
Ele Auro me ajudou a consertar a corrente.
Na vida além de competência precisamos contar com uma boa dose de sorte e certamente que eu sou um homem de muita sorte.



O índio Auro e sua filha e as coisas do baú espalhadas. É que desmontei o baú para facilitar o conserto da corrente.



Uma das muitas aldeias indígenas que encontrei ao longo do caminho.

Nesta foto dá para vocês terem uma pálida idéia do que é essa estrada.



Um mergulho inclinado e lá em baixo uma ponte de madeira em que a distância entre as tábuas é mais do que suficiente para quebrar a roda da bicicleta. Notem a pedra solta, se tocar nela é chão na certa.

Após muitas subidas e descidas em estrada de terra de péssima qualidade e condição, eu finalmente cheguei em uma localidade chamada de primeiro do Cassipore, tomei um bom banho, lavei a minha roupa, jantei (R$ 7,00) e pela primeira e única vez, armei a minha barraca de camping. No outro dia acordei, desmontei a barraca, preparei a Emília e sentei o pé na estrada.



1º de Caissiporé, neste local eu passei a minha segunda noite e montei pela primeira e única vez a barraca de camping.

Dia 4 - Primeiro dia da viagem - Domingo

INÍCIO 6:30 h FINAL 17:38 h
ODO ini 9042 ODO final 9107
RT 4:38:36
AVG 13.9
MAX 64
DST 64.74



São 6:30 h da manhã e um  forte nevoeiro cobria a estrada.
Está hora de começar


Nesse primeiro dia eu andei em 58 Km de asfalto 6 Km em estrada de terra, tanto o trecho de asfalto como o de terra apresentam um alto grau de dificuldade devido o continuo sobe e desce com subidas e descidas muito ingremes.



Uma bela estrada muito bem asfaltada e com um acostamento de primeira qualidade, é tudo o que um cicloturista pode querer.

O calor é intenso e logo, logo se perde uma grande quantidade de líquido que precisa ser reposto.



Na foto, o amigo Antônio Leandro de Oliveira um dos muitos moradores que tão generosamente me receberam e me deram água.

É pena que o que é bom dura pouco, logo o asfalto acabou.



O trecho de terra estava apenas começando e ele ainda vai me acompanhar por vários dias, me apresentando a cada trecho as suas ladeiras as quais eu chamei de madrastas, com as suas subidas enormes.



Placa advertindo que se está em território indígna.

Na parte que pertence aos índios as matas está muito mais bem preservada (praticamente intacta). Depois ainda dizem que nós somos civilizados...


Às 17:38 h eu cheguei na aldeia Aruña.



Índios Caripunas da Aldeia Aruña.

É uma aldeia de índios Caripunas e tem a peculiariedade de ser comandada por uma mulher, a Cacique Creuza.



Graças a generosidade da Cacique Creuza, eu pude passar a noite na aldeia e no outro dia após tomar um banho no igarapé que estava gelado, eu meti novamente o pé na Estrada.

Pedi autorização dela para passar a noite e após uma certa resistência por parte dela, ela convocou o conselho da tribo e finalmente fui aceito como hóspede deles. Fui tomar um gostoso banho de igarapé, preparei a minha comida e armei a rede para dormir.



Local onde passei a noite

Finalmente tinha acabado o primeiro dia da minha viagem e estava mais morto do que vivo de tão cansado que estava, mas isso era apenas o começo.